Smart Mobs transformam-se em Flash Crowds
Começaram em Junho na cidade de Nova Iorque, tendo o primeiro evento reunido 100 pessoas - a maior parte pertencente à eite cibercultural de Nova Iorque - num determinado tapete localizado no nono andar dos armazéns Macy's. Mas em pouco tempo espalharam-se por todos os Estados Unidos. Neste momento, estão planeados eventos deste tipo para San Francisco, Minneapolis, Texas e Londres. O plano consiste em reunir por email ou telemóvel multidões espontâneas supostamente com objectivos artísticos, sociais e de caridade.
inicialmente, chamavam-se
Smart Mobs, como referência ao livro de Howard Rheingold em que se descreve de que forma é que as novas tecnologias como o SMS dos telemóveis foram utilizadas pelos filipinos para derrubar o presidente Estrada e pelos sérvios para gerar um movimento público de resistência durante os bombardeamentos da NATO em 1999. Ultimamente, têm vindo a ser designados de
Flash Mobs ou
Flash Crowds. E, na minha opinião, talvez esse seja a designação mais adequada tendo em conta a forma como estes eventos têm sido organizados.
Pode-se invocar que se trata de um regresso da
Performance Art e dos
Happenings colectivos da contra-cultura
hippie dos anos 60 ou dos eventos ecologistas. Mas a verdade é que estes eventos parecem não ter qualquer sentido ou objectivo significativo, para além de uma vontade de se dar a mostrar aos outros, de um exibicionismo não muito longe dos
reality-shows da Endemol. Até já existe um site chamado
Flock Smart para tentar registar pessoas para participarem em
flash crowds.
Apesar de não se estar longe do conceito de
Tactical Media, desenvolvido por David Garcia e Geert Lovink, isto é, de órgãos de comunicação social criados e mantidos por pequenas comunidades, normalmente sem acesso a esses próprios média, falta aqui um gesto, um intuito subversivo, em direcção à mudança política, social ou cultural. Com a emergência destas multidões imediatas, os media são momentaneamente "apoderados" pelos cidadãos. Este tipo de eventos são por isso, de facto, instrumentos sociais bastante poderosos. Mas se continuarem a ser utilizados apenas para futilidades e como pontos de convívio social, correm o risco de se vulgarizarem e perderem toda a sua força. De multitudes auto-organizadas e dotadas de inteligência e de objectivos passam a massas desorganizadas sem nada de
smart ou, ainda pior, controladas pelas grandes companhias.
Publicado por macaetano em julho 17, 2003 04:59 PM