agosto 18, 2003

Assimetria nas redes e nas ruas

Ben Hammersley está a investigar um novo assunto, a assimetria e as suas relações com as redes tecnológicas e a realidade politicoeconómica: "asymmetric warfare, decentralized systems, terrorism and file-sharing, cascading failures and post-geographic economics and top-down versus bottom-up and so on." Aqui vão alguns dos seus pensamentos (bastante interessantes, aliás) publicados recentemente no seu blog, que recentemente sofreu uma remodelação:

"Some of the issues raised by asymmetry are especially pertinent for a good deal of the issues popular in the geek blogging sphere. Such asymmetric conflicts, whether it be anti-globalisation protests, the running of Kazaa, renaming issues or the promotion of Free Software will always result in a monolithic opposition responding with a sweeping generalisation. Furthermore, the very nature of the conflict - centralised and top-down versus decentralised and bottom-up - will always result in such a response being seen as massively disproportionate.

This is because, whereas on one side you have a concept, or an entity — Patriotism, America, McDonalds, the Music Industry — and on the other you have individuals. Perhaps millions of them, for sure, but individuals anyway. Think of your own reactions to the news that the recording industry claims to be losing X million dollars a year against the news that in response to this they are suing individual college students for their life savings. Such responses do not play well to the public. Indeed, they can actually have the opposite effect: bringing publicity to the actions in quite the worst way. If so many people are doing this, the logic goes, and it is so effective that the only possible response is so strident, and yet they can only punish so few people, the balance of benefit against risk is skewed way over to the little guys. In other words, in an asymmetric conflict, once the monolithic side starts to fight you, it has lost. The only way for the monolith to win the game is not to play at all."

Publicado por macaetano em 06:59 PM | Comentários (5)

RSS em vias de massificação

Um número cada vez maior de bloggers, jornalistas e simples curiosos utiliza agregadores de notícias como o NewsMonster - destinado a todas as versões do Mozilla disponíveis para os diversos sistemas operativos - e o NetNewsWire - para o Mac OS X. Estes programas utilizam o RSS, iniciais de, entre outras coisas, Really Simple Syndication, uma tecnologia que permite obter os títulos actualizados de um blog ou site de notícias juntamente com centenas de outras fontes online de informação. A Wired tem uma notícia sobre o fenómeno e as potencialidades desta inovação. Quem quiser RSS em Linux pode utilizar o Straw, para Gnome.

Publicado por macaetano em 03:44 PM | Comentários (3)

Back Again do "frigorífico" de Portugal

Depois desta pausa que foi um bocado ao superior ao que eu tinha previsto, o UpGrade regressou hoje com a sua programação habitual de notícias, informação, comentários e outras histórias sobre software livre e outros fenómenos paralelos da cibercultura. Ao passo que Lisboa e o resto do país eram inundados por uma onda de calor e os incêndios se sucediam de Trás-os-Montes ao Algarve, em Santa Cruz, Torres de Vedras, parecia que se estava num frigorífico, mesmo ao pé da praia e numa esplanada a comer petiscos marítimos e a beber canecas... Enfim, la voltei... Enquanto isto, os termómetros de Lisboa começam a regressar lentamente à sua normalidade veraneante, entre os 30 e os 35 graus.

Publicado por macaetano em 01:25 PM | Comentários (0)

agosto 04, 2003

Uma ferramenta online para quem não quer ser incomodado

Em jeito de paródia do popularíssimo Friendster e a pensar nos mais carrancudos, misantropos e introvertidos, surge o Introvertster:

"Introvertster is an online community that prevents stupid people and friends
from harrassing you online
You can use Introvertster to:

1. Avoid invites to chat, filter out annoying invitations for Meetup,
birthday parties, or after-hours get togethers.

2. Packet flood a friends Internet connection making it impossible for them
to send you an instant message.

3. Help your friends get a clue that you really don't like people or care
for idle chit-chat.

4. Create your own barrier to protect yourself against interaction with
people. It's easy and fun!

Introvertster is an online anti-social non-networking community that
prevents people from ever bothering you while you're online"

Publicado por macaetano em 01:44 AM | Comentários (1)

agosto 01, 2003

Reino Unido proíbe acessório de iPod por considerar que permite emissões piratas de rádio

Segundo a BBC, o Griffin iTrip, um acessório do iPod de pequenas dimensões que é utilizado para transmitir o que o leitor portátil de música da Apple está a passar através de uma onda de rádio de baixa frequência - permitindo assim ouvir o iPod através do rádio de um carro -, viola o Wireless Telegraphy Act em vigor no Reino Unido desde 1949. Ao que parece, esta lei não autoriza a existência de transmissores FM não-licenciados, tendo as autoridades britãnicas banido o dispositivo. A distribuidora britânica A M Micro retirou o iTrip do mercado, tendo avisado o seguinte: "Use of the iTrip in the UK therefore constitutes an offence and can lead to prosecution of the User."

Publicado por macaetano em 06:45 PM | Comentários (0)

julho 31, 2003

ISP norte-americano processa RIAA

De acordo com o New York Times, a Pacific Bell Internet Services, um fornecedor de acesso à Internet do grupo norte-americano de telecomunicações SBC Communications decidiu reagir à pressão da Associação Norte-Americana da Indústria Discográfica (RIAA), tendo instaurado um processo judicial contra esta organização. O ISP alega que muitas das intimações apresentadas recentemente pela RIAA contra os utilizadores de serviços online de partilha de ficheiros são impróprias.

Segundo a Pac Bell, foram emitidas a partir da jurisdição errada mais de 200 intimações visando obtendo os endereços de email desses cibernautas. A empresa afirma ainda que a exigência da RIAA relativa à obtenção de informação sobre vários file-sharers não pode ser agrupada numa única intimação.

Publicado por macaetano em 07:38 PM | Comentários (0)

Siva Vaidhyanathan alerta para os perigos da propriedade intelectual

Depois de ter abordado a questão das redes Peer-to-Peer de partilha de ficheiros e a relação entre cultura, diversidade e os serviços de troca de músicas no formato MP3, o teórico dos média Siva Vaidhyanathan analisa agora a ciência e o conhecimento científico no terceiro artigo da sua série de ensaios sobre a cultura Peer-to-Peer no site OpenDemocracy. Siva denuncia a pretensão dos detentores de propriedade intelectual por um maior controlo a um nível planetário do conhecimento, da informação e da arte. Os responsáveis do site oferecem a possibilidade de críticos responderem a Vaidhyanathan. Aqui ficam alguns excertos do mais recente ensaio do nosso anarquista académico:

"Science is the most successful, open and distributed communicative system human beings have ever created and maintained. The cultural norms of science, and by extension academia in general, are anarchistic in the best sense of the word. Science and academia should be radically democratic. Although membership in these communities is effectively closed to a select few, the papers and books that come out of these communities are more often than not open to public perusal and commentary. And the traditions of blind peer-review do allow for motivated amateurs to participate occasionally in discourse and discovery, even if they can?t get past the guards protecting labs and libraries.(...)

Scientific knowledge often moves from a spring of open discourse into a stream of adoption and exploitation. The stream often moves from the public arena to the private sector. We have developed complex rules that guide this process. And each step embodies a tangle of values and ideologies. The rules and terms of discussion evolve from consensus-seeking processes within scientific communities. They then consider the demands of market forces to create and enforce scarcity and state demands for security.(...)

Proprietary control of databases of essential genetic information, for instance, raised the specter of redundant, imperfect, competitive private databases that would simultaneously lower the profits for companies that maintain them and raise transaction costs for companies that wish to use the information to develop drugs or therapies.(...)"

Publicado por macaetano em 01:01 PM | Comentários (0)

A receita de Doc Searls para salvar a Internet no Linux Journal

Através do Marketing Hacker, cheguei a este editorial do Linux Journal, já da semana passada, escrito pelo Doc Searls. É um artigo longo e denso, que passa por diferenciar o conceito de copyright (direitos de autor) do de propriedade intelectual, pela decisão de consolidação dos média nos EUA pela FCC (Federal Communications Commission - a Anacom do Tio Sam), pelo caso SCO contra Linux, a campanha presidencial do candidato democrata Howard Dean, o ataque da banda larga pela operadoras de telecomunicações e de cabo naquele país e a distinção entre liberais e conservadores. Pessoalmente, acho que essa distinção já não é muito válida, pois os conservadores são cada vez mais liberais e vice-versa - veja-se a administração Bush. Os liberais são cada vez mais a favor dos grandes média e dos big bucks. Cá por mim, a distinção entre esquerda e direita ainda explica grande parte da realidade social... Aqui fica um excerto:

"The Internet has been blessedly free of regulation for most of its short life. But the companies that provide most Internet service--telcos and cable companies--are highly regulated. They are creatures that live in a regulatory environment that bears little resemblance to a real marketplace. As natives of regulatory habitats, they see nothing but Good Sense in regulating the Net. After all, any regulation will help assert their ownership over the sections of the Net they control and legitimize the limitations they place on what their customers can do with, and on, the Net.

These companies have deep alliances with the big "content": industries (in the case of cable, they are one and the same) that want to see control extended beyond the Net, into the devices that connect to the Net, including PCs, which have also been blessedly free from regulation. Intellectual property protections have been built into consumer electronics devices for a long time. These guys see no reason why PCs, as a breed of consumer electronic device, shouldn't be subject to the same restrictions, in the form of digital rights management (DRM), run by content providers and burned into hardware at the factory.

Two oddly allied mentalities provide intellectual air cover for these threats to the marketplace. One is the extreme comfort certain industries feel inside their regulatory environments. The other is the high regard political conservatives hold for successful enterprises. Combine the two, and you get conservatives eagerly rewarding companies whose primary achievements consist of successful long-term adaptation to highly regulated environments. That's what's happened with broadcasting and telecom.

I think we need a galvanizing issue. I suggest Saving the Net. To do that, we need to treat the Net as two things:

1. a public domain, and therefore
2. a natural habitat for markets"

Publicado por macaetano em 12:35 AM | Comentários (1)

julho 30, 2003

Uma experiência que conjuga micropublicação e micropagamentos

RedPaper é um mercado experimental de auto-publicação de conteúdos e micropagamentos apoiado pela Adobe Software. Segundo a Wired, trata-se de uma mistura entre a eBay e o New York Times. No fundo, consiste numa hipótese de os jornalistas e escritores amadores ganharem alguns trocos por aquilo que publicam. Qualquer pessoa pode efectuar o download de conteúdos e estabelecer um preço pelo seu acesso. Se um utilizador quiser registar-se precisa de depositar três dólares numa conta especial, podendo em seguida adquirir os artigos que quiser ao preço estabelecido pelo autor. O site mostra ainda quantas vezes um artigo foi adquirido.

Publicado por macaetano em 11:04 PM | Comentários (0)

PlayStation portátil vai incorporar sistema de rede local sem fios

Ao incorporar um sistema de rede local sem fios baseado na especificação 802.11b, a nova consola PlayStation portátil da Sony irá permitir que utilizadores localizados numa àrea próxima joguem entre si e efectuem o download de personagens de jogos. A máquina, que deverá estar pronta para o final de 2004, irá também integrar dois poderosos microprocessadores, um motor gráfico avançado capaz de oferecer efeitos tridimensionais e uma tecnologia de segurança para supostamente proteger os direitos de autor dos programadores e criadores de jogos. Quase que tenho a certeza de que antes da consola for lançada, um tipo porreiro irá arranjar uma forma de remover essa protecção... Bem, o que interessa é que estamos perante uma verdadeira concorrente da GameBoy da Nintendo. O The Register apresenta os pormenores mais técnicos, para os interessados.

Publicado por macaetano em 10:03 PM | Comentários (0)

julho 28, 2003

EFF cria base de dados de alvos potenciais de intimações da RIAA

Segundo a BBC, a Electronic Frontier Foundation (EFF) está a disponibilizar aos indíviduos potencialmente alvo das intimações recentemente emitidas pela Associação Norte-Americana da Indústria Discográfica (RIAA) uma forma de verificar se o seu nome se encontra na lista, através de uma base de dados. Esta possibilita que as pessoas pesquisem pela alcunha que utilizam nos serviços de partilha de ficheiros numa lista de intimações emitida pela RIAA. Caso encontrem o seu nome, poderão aceder a uma cópia electrónica da intimação, que inclui o nome do seu ISP, uma lista das músicas copiadas e o endereço IP do utilizador. Até ao final da semana passada, tinham sido emitidas quase 900 intimações, sendo diariamente acrescentadas 75. As intimações visam obrigar os ISPs a divulgar a identidade dos alegados violadores dos direitos de autor, estando a RIAA a ameaçar com a instauração de processos, exigindo o pagamento de 750 a 150.000 dólares em indeminizações.

Ao mesmo tempo, a EFF criou em conjunto com a U.S. Internet Industry Association um site chamado subpoenadefense.org, destinado a fornecer informações sobre advogados e outros recursos para os utilizadores que enfrentam uma acção legal. Também no mesmo âmbito, o The Register publicou um artigo de opinião chamado "Copying is Theft -- And Other Legal Myths", da autoria de Mark Rasch, antigo director da unidade de crime informático do Departamento de Justiça dos EUA, onde se pode ler uma análise das implicações legais dos mais recentes ataques da RIAA contra os utilizadores de redes de partilha de ficheiros.
Publicado por macaetano em 11:36 PM | Comentários (0)

Regresso de férias e novidades

Após uma semana a calcorrear pelo Portugal profundo, sem acesso a PCs e redes informáticas de qualquer tipo, o UpGrade retoma o seu funcionamento regular. Por sugestão do Paulo Querido, criei algumas secções temáticas que, penso, irão facilitar a navegação no blog. Contudo, não esperem, caros leitores, que irei tentar equilibrar o número de notícias atribuído às categorias no seu todo. Já que o UpGrade se assume como uma publicação marginal, underground, pertencente à periferia da cibercultura, será de esperar um certo espírito anárquico.

Assim, se num dia publicar cinco entradas para Cibercultura e uma para Software Livre e se no dia seguinte, a coisa correr absolutamente ao contrário, não se surpreendam. Afinal, só os média tradicionais é que vêm o mundo em compartimentos estanques. Infelizmente, como eu não sou propriamente um génio de HTML, CSSs e Movable Type, existem ainda alguns pequenos pormenores a corrigir, como uma certa falta de consistência na navegação. Se alguém conhecer um manual prático de MT que se possa comprar pela Amazon, indique-me, por favor. Queria mexer mais na folha de estilo, mas tenho medo de fazer porcaria.
Publicado por macaetano em 10:48 PM | Comentários (0)

julho 21, 2003

Retomamos a programação dentro de dias

Pois é, caros leitores: Devido a motivos pessoais e familiares, o UpGrade irá deixar de ser actualizado regularmente ao longo desta semana. Mas logo após este período, prometo resumir o normal funcionamento deste blog que, as estastísticas comprovam-no em parte - o blog está prestes a ultrapassar as duas mil visitas este mês - e eu assim o espero ;-), se tem vindo a tornar numa referência fundamental de informação sobre tecnologias da rua e cibercultura no panorama da blogosfera portuguesa. Já agora, aproveito aqui para pedir que me enviem quaisquer sugestões ou conselhos que possam ter no sentido de beneficiar este espaço. Até para a semana
Publicado por macaetano em 01:36 PM | Comentários (2)

julho 18, 2003

Deve-se ou não banir o acesso das crianças às salas de chat?

Num artigo da BBC, Bill Thompson, jornalista e especialista em novas tecnologias, apresenta uma série de dados que comprovam o perigo das crianças utilizarem as salas de chat online, tendo em conta o caso da adolescente britânica de 12 anos que desapareceu com o Marine norte-americano de 31 anos durante uns dias, após terem conversado várias vezes pela Internet. Na opinião de Thompson, impedir o acesso das crianças a este tipo de tecnologia será muito mais fácil do que banir os adultos de entrarem em salas de chat.

Segundo os dados referidos por ele:
  • Uma em cinco crianças com idade entre os nove e os 16 anos utilizam regularmente salas de chat
  • Mais de metade estiveram envolvidas em conversas de cariz sexual
  • Um quarto recebeu pedidos para se encontrar face a face
  • Uma em dez encontraram-se face a face
A acreditar na veracidade destes dados, há razões para alguns pais - mesmos os que se dediquem mais a acompanhar a evolução e educação dos seus filhos - ficarem preocupados. Apesar de gostar de me considerar um anarco-socialista, neste caso tudo aponta para que seja necessário e premente intervir a nível legislativo. No entanto, acho que os adolescentes com 14 anos de idade já têm o discernimento para compreender muita coisa e por isso considero que, a haver, a idade-limite de acesso devia ser só até aos 13 anos. De qualquer modo, gostaria que lessem o texto no site da BBC e apresentassem aqui comentários com opiniões contraditórias - ou até semelhantes - à do autor, desde que bem fundamentadas.
Publicado por macaetano em 07:42 PM | Comentários (2)

julho 17, 2003

Uma crítica da vida real enquanto jogo de computador

Ou a vida real encontra-se com a vida virtual. Mas o que é virtual e o que é real? Porque é que a realidade não pode ser vista como um jogo, para quem passa a maior parte do dia nos mundos de aventuras medievais, tiroteios em caves soturnas, relvados de campos de futebol feitos de pixels ou explorações intergalácticas? Os psicólogos, moralistas, intelectuais humanistas, conservadores e a maior parte da população acima dos 30 anos não deverá ler o artigo que o site de jogos GameSpot publicou recentemente, sob pena de sofrerem um colapso. Trata-se justamente, de uma crítica à vida real (Real Life), à realidade material de todos os dias em oposição à vida virtual e ficcional dos jogos. Foucault, Deleuze e Derrida adorariam. É a declaração de morte do humanismo? É o culminar do processo de transformação da realidade em simulação? Quem sabe. Eu por mim, acho que o artigo está muito bem escrito. Até porque, acima, de tudo, o autor faz questão de referir que a Real Life é o melhor de todos os jogos. Talvez se passarmos a analisar a realidade de uma forma mais objectiva, como este artigo faz, venhamos a compreender melhor quem somos.

Volumes have already been written about real life, the most accessible and most widely accepted massively multiplayer online role-playing game to date. Featuring believable characters, plenty of lasting appeal, and a lot of challenge and variety, real life is absolutely recommendable to those who've grown weary of all the cookie-cutter games that have tried to emulate its popularity--or to just about anyone, really.

Ultimately, if you take a step back and look at the big picture, you'll see that real life is an impressive and exciting experience, despite its occasional and sometimes noticeable problems. It says a lot for real life that, even with these issues, it's still very highly recommendable. Simply put, those missing out on real life are doing just that.
Publicado por macaetano em 07:08 PM | Comentários (0)

julho 14, 2003

Casos de conflitos relativos a nomes de domínios no Canadá

A Pool.com, uma registrar, isto é, uma empresa canadiana especializada no registo de nomes de domínio da Rede, processou o Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), a organização norte-americana encarregada de administrar o sistema de nomes de domínio, por práticas monopolistas. A razão desta acção deve-se a uma decisão do ICANN de ceder à Network Solutions o controlo exclusivo sob domínios que não foram revalidados. Até há pouco tempo, qualquer registrar podia vender esse tipo de nomes de domínio, mas com esta decisão, a Network Solutions passou a ser única entidade com autoridade para licitá-los.

Também do Canadá vem outra notícia de cybersquatting de nomes de domínio - registo de um site com um nome relativo a uma marca cuja propriedade intelectual que não se possui. Geralmente, é um grupo de protesto que é acusado de cybersquatting em domínios que são semelhantes ao da entidade a que se opõem. Mas desta vez, trata-se justamente do contrário. Um grupo que se opõe à proposta de Vancouver para alojar os Jogos Olímpicos de 2010 acusa a Olympic Bid Corporation - organização promotora da candidatura - de cybersquatting ao ter registado o endereço na web nogames2010.org. Isto porque o grupo de protesto detém o domínio .org. Os protestantes argumentam que a companhia não pretende utilizar de facto o nome. Esta é, aliás, a principal base para determinar se se está ou não perante um caso de cybersquatting.
Publicado por macaetano em 06:12 PM | Comentários (1)

Manifesto em defesa da Rede "estúpida"

No seguimento do ensaio "World of Ends" publicado em Março pelo Doc Searls e o David Weinberger - dois dos quatro autores do "Cluetrain Manifesto" -, em que se defendia as virtudes do caracter intrinsecamente "estúpido" da Internet - como a possibilidade de contornar qualquer falha num router e de integrar acesso à rede a toda uma espécie de dispositivos inteligentes, Simson Garfinkel escreveu agora "The End to End-to-End?", publicado no E-Commerce Times.

À semelhança de Searls e Weinberger, este jornalista e cientista de computadores defende que a Internet deverá permanecer uma rede "estúpida" que se liga a dispositivos inteligentes: "One of the fundamental design principles of today's Internet is so basic and so important that few users have ever heard its name; they just assume its existence. It's called 'end-to-end,' and some disturbing new developments are putting it in jeopardy."

Segundo Garfinkel a maior vantagem da arquitectura End-to-End está na inovação que oferece: "By putting the intelligence in the endpoints, end-to-end turns the cellphone network -- or any other network -- into a commodity.(...) Whenever you hear a company bragging about the great services it can offer directly in its network, understand that it is trying to kill end-to-end. Personally, I'd rather have a dumb network, a pair of smart endpoints, and a future."
Publicado por macaetano em 12:24 AM | Comentários (1)

julho 12, 2003

Rádio software vem para mudar as regras do jogo do sistema radiotelevisivo

Num ensaio publicado na edição de hoje do Guardian, Ben Hammersley explica o conceito de rádio software e de que forma pode ser utilizado para actualizar os padrões tecnológicos dos televisores, rádios, telemóveis e outros dispositivos que empregam ondas rádio, dispensando a compra de novo equipamento.

"Software radio, on the other hand, uses ordinary PC technology to achieve the same result. By taking advantage of the yearly increases in processor speed, a software radio can use a very basic receiver to throw everything it can hear into memory, and then have ordinary commodity hardware and standard programming languages process the signal. Technology that 15 years ago could never have handled the large amount of arithmetic needed is now perfectly capable. It is also getting cheaper and more powerful every year, and because it is all written in standard computer languages, techniques learnt today do not go out of date.

With a software-defined radio circuit, building in the ability to talk with many different types of radio circuit becomes a programming issue, and not a physical limitation. As new standards are developed, it will no longer be necessary to buy new equipment. In the future, a downloadable patch is all you will need to upgrade your television, radio, or mobile phone to the next standard."


Segundo Hammersley, esta e outras tecnologias demontram que o espectro de radiofrequências empregues em televisão e rádio não está à beira da rotura, completamente sobrelotado, o que foi durante vários anos o principal motivo apontado pelas entidades reguladoras nacionais para a sua elevada regulação . "De uma economia de escassez digital, dominada pela interferência, poderá passar-se para uma economia de abundância", refere, citando um artigo de David Reed - responsável pelo documento que definiu a arquitectura da Rede - publicado na Salon.

O problema é que as autoridades reguladoras não estão dispostas a perder o poder que detinham até agora - como a Anacom portuguesa - de forma a permitirem que eu, vocês ou um grupo de vizinhos da Amareleja crie a sua própria estação de televisão ou de rádio e começe a transmitir uma emissão por via terrestre... No cenário de um futuro a curto prazo que o Ben Hammersley esboça, considero que as vantagens ultrapassam em muito os inconvenientes, se é que os haverá. Mas como é que se impede que o open-spectrum se torne num instrumento em benefício do ultra-liberalismo capitalista e monopolista,?. Quem é que nos assegura que essa associação de moradores da Amareleja e outras tantas não esteja mais interessada em arrecadar uns cobres e vender a sua frequência à Portugal Telecom ou Microsoft? O papel da Anacom deverá ser, justamente, esse, na minha opinião.
Publicado por macaetano em 08:49 PM | Comentários (4)

julho 10, 2003

Grupo de rádios online ameaça processar RIAA

Depois dos vários acordos alcançados entre a Associação Norte-Americana da Indústria Discográfica (RIAA) e os webcasters - grupos responsáveis por rádios online - e dos consequentes rompimentos por parte de outras estações de rádio na Internet que consideravam que o negócio obtido não lhes era benéfico, agora mais um grupo de webcasters denominado Webcaster Alliance está a preparar um processo antitrust contra a RIAA por alegada violação da Lei Sherman Antitrust Act, se esta última não reabrir as negociações para a fixação de taxas de royalties, de acordo com uma notícia do Washington Post.
Publicado por macaetano em 04:32 PM | Comentários (1)

julho 09, 2003

Guardian introduz pagamentos por acesso online

O jornal diário britânico The Guardian decidiu implementar novas formas de cobrar pelos seus conteúdos online. Mas, ao contrário de outros sites, o método adoptado parece ser mais inteligente, de forma a não afastar os leitores da sua edição na Internet. O plano consiste em oferecer aos leitores uma versão sem anúncios do jornal por apenas 20 libras anuais (29 euros). Em paralelo, quem quiser pagar 98,57 libras por ano (142,85 euros) ou 10 libras por mês (14,50 euros) poderá aceder a uma versão completamente digital do jornal de papel.

Em contrapartida, quem comprar o Guardian no quiosque de segunda a sexta-feira durante um ano terá que pagar 143,55 libras por ano, um montante muito mais elevado. Os leitores do Observer - semanário pertencente ao mesmo grupo - poderão também consultar uma réplica online exacta da versão em papel por 29 libras anuais (42 euros) ou cinco libras por mês (7,24 euros). A partir de Outono, os leitores terão que se registarem para consultarem os artigos do jornal.
Publicado por macaetano em 11:13 AM | Comentários (1)

julho 08, 2003

Doc Searls sobre o excesso de informação na Rede

Em reacção ao artigo de Matt Richtel publicado na edição de domingo do New York Times, The Lure of Data: Is It Addictive?, que fiquei a conhecer através do Pedro Fonseca, o Doc Searls responde contundentemente. Definitivamente, o homem é um génio. O texto dele pode-se aplicar em Portugal e a quase todos os países ocidentais.

Here's what's on TV right now: Nothing. Trust me. You can store it for later suckage off your TiVo, but it'll still be Nothing.
Here's what's in your magazines right now: Lots of stuff you're not interested in. Same with your newspapers.
As for radio: Forget it, unless you're an amen-corner conservative, a sports junkie, an NPR addict, or in need of a traffic report in the next fifteen minutes.
Yes, there's lots of stuff in all those media you'll like or use. Hell, you probably depend on a lot of it, in the best sense of that verb. But you have to wait for it if it's on a broadcast outlet or root for it in a publication. More importantly, you're not in charge. They are. And to Them, you're still just a consumer. A gullet for gobbling "content" and crapping cash. (...) Yes, Even if They are NPR and the New York Times. They are The Media. Information is a form of "content" that moves from Them to you, on an almost entirely one-way basis.
The Web is ours, not theirs.
Here on the Net, we get to inform ourselves, and each other. No, not all information is here. Is it a perfect system? Far from it. But it's a human one. And human beings are learning creatures, after all, even if they do like to watch television.
Of course there will always be a need for libraries and conventional media of all kinds. Again, AND logic applies. But there's no substitute for learning stuff. Call it an addiction if you like, but consider the alternatives.
Publicado por macaetano em 11:26 PM | Comentários (2)

julho 07, 2003

THE_INTERNET_IS_SHIT_?

Parece que afinal há alguns anglosaxónicos que concordam com o ponto de vista do senhor Armand Mattelart na sua obra "História da Sociedade da Informação" que eu expus ontem aqui, a julgar por este site em formato de manifesto com um nome completamente seco, desencantado e sem nenhum lirismo: Internet is shit.org. Vejamos a sua mensagem:

"If it doesn't have a website, that doesn't make something low quality. If you can't Google your blind date, that doesn't make them a freak. If one website says something about anything, it's more than likely pure invention and shouldn't be taken seriously. Checking your sources does not mean finding another website that says the same. Fiction is self-perpetuating."

Mais à frente:

"And then what? Then we can move on. If we truly understand that the internet is shit then maybe we'll go back to looking elsewhere to check our information instead of just Google. Maybe journalists will do proper research again. If we remember that the medium isn't the message then maybe we'll stop aimlessly surfing for something amusing when we could actually be doing something fun. And, crucially, if the internet is just seen as occasionally unavoidable, maybe those websites that give us something special will be all the more amazing for it."

Em seguida, Tom Coates, do Plasticbag, redigiu uma resposta à letra a este argumento e com a qual eu concordo absolutamente:

"Frankly, I don't care who thinks I'm nuts or an evangelist or whatever, but as far as I'm concerned the internet has improved people's lives, helped them understand and deal with health problems, eased depression, connected the lonely and the disconnected and been a fount of information on pretty much every subject in the world. I don't give a damn what anyone else thinks about it - I'm proud of it and proud of my tiny corner of it."
Publicado por macaetano em 01:48 PM | Comentários (1)

julho 05, 2003

O'Reilly prevê transformação do software em comodidade

Numa entrevista à divisão sueca da IDG, Tim O'Reilly, o patrão da editora O'Reilly de manuais - camalhaços - para Linux, Perl, Phyton, Java e todos os goodies que os geeks adoram, afirma coisas tão surpreendentes como "a EBay vai comprar um dia destes a Oracle, as licenças open-source não funcionam" e, menos surpreendentemente, "o mercado de software está prestes a iniciar uma mudança sem precedentes, no sentido da sua comoditização.

Para os mais distraídos, na próxima semana tem lugar em Portland, Oregon, na costa leste dos Estados Unidos, a Open Source Convention da O'Reilly.
Publicado por macaetano em 05:38 PM | Comentários (1)

julho 03, 2003

Business 2.0 dá um tiro no pé e fecha acesso a conteúdos

Através do Techdirt, fiquei a saber que a Business 2.0, outra revista da Nova Velha Economia, fechou ontem o acesso aos conteúdos do seu site, continuando a política feudalista de enclosures da AOL Time Warner. A partir de agora,para ler os artigos da revista é preciso pagar. É claro que os assinantes da AOL continuam a poder aceder de borla aos conteúdos.

Há um ano e meio quando começou esta estratégia do pagamento pelos conteúdos online, achava que isso era o início do fim da Internet. Agora, notícias como estas fazem-me apenas rir. Quem quer a Business 2.0 quando se tem acesso a milhares de escritores, jornalistas, ensaístas e opinion-makers na blogosfera? Afinal de contas, eu estava certo. Mas o fim dos conteúdos abertos por parte das dotcoms representa também o surgimento de uma nova Internet, mais livre descentralizada. Essa é a Net dos blogs, das redes P2P e do software livre.

Por outro lado, é da blogosfera que surgirá a Business 3.0, baseada num outro modelo de negócio, na troca e partilha de conhecimentos. A era dos mercados desenfreados e do capitalismo neo-liberal das dotcoms está a morrer. Que mais impérios dos média criem os seus enclosures. Dentro de pouco tempo, terão que fechar as portas...
Publicado por macaetano em 11:35 AM | Comentários (0)

julho 02, 2003

Clay Shirky sobre o comportamento dos grupos no software social

No mais recente número da sua newsletter "Networks, Economics, and Culture", Clay Shirky, teórico do chamado software social, analisa alguns dos problemas que poderão surgir a longo prazo num grupo, recorrendo para tal ao livro "Experiences in Groups" do psicólogo W. R. Bion datado dos anos 50, muito antes do surgimento das primeiras redes sociais online ou comunidades virtuais nos anos 70.

O artigo, intitulado "A group Is its own worst enemy", é bastante extenso mas muito interessante e adverte para os perigos que os blogs enfrentam a longo prazo, baseando-se nos exemplos passados das BBSs, da Usenet, dos MUDs, dos fóruns na Web como a Well e dos projectos de software livre. Salienta ainda que nunca se deve separar os aspectos sociais dos aspectos tecnológicos, no que diz respeito à tomada de decisões relativas ao desenvolvimento de software social. Para Shirky, como refere o título do ensaio, os elementos do grupo são o pior inimigo desse colectivo:

This talk is in three parts. The best explanation I have found for the kinds of things that happen when groups of humans interact is psychological research that predates the Internet, so the first part is going to be about W.R. Bion's research, which I will talk about in a moment, research that I believe explains how and why a group is its own worst enemy.

The second part is: Why now? What's going on now that makes this worth thinking about? I think we're seeing a revolution in social software in the current environment that's really interesting.

And third, I want to identify some things, about half a dozen things, in fact, that I think are core to any software that supports larger, long-lived groups.
Publicado por macaetano em 05:16 PM | Comentários (0)

junho 30, 2003

Bem vindo ao UpGrade

A blogosfera portuguesa conta a partir de hoje com um novo blog: o UpGrade, da minha exclusiva autoria e responsabilidade, Miguel Caetano. Enquanto jornalista de tecnologia, pude acompanhar até agora mais ou menos à distância este novo mundo da micropublicação.

Pelos mais variados motivos, incluindo alguma maior disposição de tempo, decidi-me dedicar à publicação e manutenção regular de um blog dedicado a alguns dos assuntos que me interessam mais, em termos profissionais e pessoais, como justamente se refere em cima, software livre, cibercultura, novos média e música electrónica, aqui e ali com algumas eventuais incursões noutros territórios.

O termo upgrade aqui empregue é uma referência óbvia à indústria tecnológica, sobretudo a de software: uma nova versão de um programa que se destina a corrigir todos os erros da anterior, acrescentando ao mesmo tempo melhorias em termos de funcionalidades. À maneira de McLuhan, considero que esses sucessivos upgrades com que os utilizadores de informática pessoal se têm vindo a defrontar desde meados dos anos 80 influenciaram a sua personalidade, o seu modo de pensar e agir, quase sempre de uma forma progressiva e benéfica.

Ao contrário dos livros que eram e são estáticos, os sites, as aplicações, os jogos e mesmo o hardware são melhoráveis, moldáveis, aperfeicoáveis muitas vezes pelos próprios utilizadores. Ao longo das últimas décadas, esse conceito de upgrade foi assim permeando o próprio ser humano, quer através do corpo - operações plásticas, dietas e outros tratamentos mais ou menos "milagrosos" - como através da aprendizagem, da formação permanente , do auto-didactismo da cultura dos hackers e da partilha de conhecimentos.

Como confesso geek e obeso quase desde nascença, sempre achei um bocado perigosa e duvidosa em termos éticos essa voragem pela moldagem do corpo, que soa no mínimo a egocentrismo de novo rico e no máximo a uma tentativa de ultrapassar Deus ou a um pretenso arianismo.

O que me interessa e o que vai ser o principal tema de destaque deste blog abrange todas as actividades que possam contribuir para o aumento das potencialidades cognitivas do nosso cérebro, que entre pela nossa cabeça como se fosse uma descarga de electricidade que altera o nosso pensamento e comportamento, aquilo a que eu refiro um upgrade mental: livros, artigos, notícias, movimentos, programas, tecnologias, filmes, músicas e jogos que contribuam para o aumento de uma inteligência colectiva - como diz Pierre Lévy - formada por intelectos interessados em saber e partilhar conhecimentos que possam contribuir de uma forma vantajosa para um reforço da democracia participativa.
Publicado por macaetano em 10:03 AM | Comentários (2)